Kingdom: a série de luta que vai muito além do esporte ao abraçar a diversidade
Quando pensamos em séries sobre lutas, a imagem que nos vem à mente é de testosterona, sangue e violência. Mas, em 2014, a série Kingdom chegou de mansinho e subverteu tudo isso, mostrando que o drama dos ringues é, na verdade, o drama de uma família em ruínas. A série acompanha Alvey Kulina, um ex-lutador que tenta manter sua academia de MMA, a Navy Street, de pé. No meio do caos, estão seus dois filhos, Nate e Jay, que lutam para seguir os passos do pai, cada um à sua maneira.

Mas o que tornou Kingdom tão especial e relevante, mesmo anos após sua estreia, é a forma corajosa como ela mergulha em temas espinhosos. Ao contrário de outras produções que abordam o universo das lutas de forma rasa, a série não tem medo de encarar a homofobia e o preconceito que existem dentro do esporte.

O grande ponto de virada é a história de Nate Kulina, interpretado de forma impecável por Nick Jonas. O personagem é um lutador promissor que vive com o peso de esconder sua sexualidade. A jornada de Nate é o coração da série e mostra de forma visceral o medo, a solidão e o risco de ser quem ele realmente é em um ambiente onde ser “diferente” não é uma opção. A cada episódio, a gente sente na pele o drama de um homem que é forçado a viver uma vida dupla, com o constante medo de ter seu segredo revelado, o que, para ele, significaria o fim de sua carreira e, talvez, de sua vida.

A série mostra com clareza o quão tóxico e violento o universo do MMA pode ser para a comunidade LGBTQIA+. Em um mundo onde a masculinidade é colocada em um pedestal, a sexualidade de Nate é vista como uma fraqueza que precisa ser escondida a todo custo. Kingdom usa o esporte como uma lente de aumento para expor o preconceito, mostrando que a luta mais difícil não é a que acontece no ringue, mas a que se dá contra a ignorância e a intolerância.
Além de sua relevância social, Kingdom acerta em cheio ao construir personagens complexos e cheios de nuances. Ninguém é totalmente bom ou mau, e a série nos faz questionar nossas próprias convicções. O pai, Alvey, é um homem complicado e muitas vezes violento, mas que, no fundo, só quer proteger a família. O filho, Jay, é um talento explosivo, mas que se perde entre drogas e relacionamentos abusivos. A série nos prende justamente por isso: a gente não assiste a uma luta, a gente assiste a uma família tentando sobreviver.
Para quem busca uma série que vai além do óbvio e que tem algo a dizer, Kingdom é um soco na cara em um bom sentido. Infelizmente, a série foi cancelada após três temporadas, mas as plataformas de streaming a mantiveram viva, permitindo que novas pessoas a descubram e se emocionem com essa história de luta e superação.
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