Euphoria 3ª temporada episódio 1: ousado, controverso e impossível de ignorar
Atenção: esta crítica contém spoilers do episódio 1 de Euphoria 3.
O título do primeiro episódio é “Ándale”. Que é uma forma de dizer: vai. Corre. Não para. E é exatamente o que Sam Levinson faz durante a primeira hora da terceira temporada — ele não para, não explica, não oferece conforto. A questão que fica depois dos créditos não é se o episódio é bom ou ruim. É se você sabe o que acabou de assistir.
O que acontece no episódio 1 de Euphoria 3 (resumo)

Logo na sequência de abertura, Rue Bennett surge dirigindo ilegalmente pelo deserto. A personagem tenta atravessar uma cerca metálica com seu carro, mas acaba abandonando o veículo no topo da estrutura — presa entre decisões impulsivas e consequências inevitáveis. CosmoNerd É uma cena que funciona como declaração de intenções antes de qualquer diálogo. Não é sutil. Mas é Euphoria.
A cena é inspirada num incidente real que aconteceu e virou manchete em 2012, o tipo de detalhe que Levinson adora enfiar na série sem avisar.
A partir daí, a trama se divide entre os arcos dos personagens. Rue está trabalhando como mula para Laurie, transportando drogas para pagar a dívida que ficou em aberto na segunda temporada. Cassie negocia com Nate os termos do seu OnlyFans para bancar o casamento dos sonhos. Jules tenta equilibrar a faculdade de artes com um sugar daddy. Cada arco corre em paralelo, sem muita costura entre eles — e essa fragmentação é tanto a força quanto o problema do episódio.
O desfecho acontece quando Rue se envolve com Alamo, um novo personagem ligado ao submundo do crime. Drogas que ela entregou estavam adulteradas com fentanil e causaram mortes. Alamo a submete a uma prova extrema: ela precisa equilibrar uma maçã na cabeça enquanto ele atira. Ela sobrevive, e associa isso a uma intervenção divina — a sequência final a mostra rindo e desmoronando ao mesmo tempo, reforçando o tom da temporada.

O que funciona
Zendaya. Sempre Zendaya. Mesmo quando o roteiro não entrega o suporte que ela merece, a atriz encontra camadas que não estão escritas. A cena da maçã é absurda no papel — e ela faz funcionar pela força pura de presença.
O que funciona melhor em Euphoria é que, mesmo nas situações mais estapafúrdias, os personagens parecem reais. As performances estão lá porque os personagens parecem vividos — e esse é o maior trunfo da série.
A estética continua impecável. Filmada em película de 35mm e 65mm, a terceira temporada tem uma textura visual que poucos produtos do streaming conseguem. Cada quadro parece construído. Isso não resolve os problemas narrativos, mas torna o episódio difícil de largar.
A série também reencontrou a loucura que a tornou uma sensação — há humor negro, absurdo, e momentos que provocam uma gargalhada antes de apertar o estômago.
O que não funciona
A fragmentação que dá energia ao episódio também é seu maior problema. Sem o colégio como cenário unificador, os arcos dos personagens correm em trilhos separados e raramente se tocam. O que antes era caos com coerência emocional, aqui parece caos à procura de um centro.
A terceira temporada abriu com 56% de aprovação no Rotten Tomatoes, e o consenso entre críticos aponta que a produção pode ter perdido parte de sua identidade original ao tentar transitar para o ambiente fora da escola.
As opiniões da crítica internacional são reveladoras pela variedade: o RogerEbert.com reconhece momentos que brilham com a energia da série no seu auge, mas aponta que Euphoria em 2026 parece mais incerta do que nunca sobre o que está tentando dizer. Já o IndieWire foi mais direto: a série de Levinson nunca foi tão espiritualmente vazia, e sempre foi mais ativa, insistente e ambiciosa.
O Screen Rant foi ao osso: sem a ambientação no colégio, a única coisa que ainda temos são os personagens de Euphoria — mas isso só torna mais evidente que Sam Levinson talvez não os compreendesse bem desde o início. É uma crítica que dói porque tem fundamento.
Há também o contexto de bastidores que paira sobre essa temporada. Polêmicas envolvendo Sam Levinson — que trabalhou na problemática The Idol em 2023, com alegações de problemas sérios nos roteiros — invadiram o noticiário e impactaram a imagem de Euphoria antes mesmo da estreia. É difícil assistir completamente alheio a isso.
Vale a pena assistir Euphoria 3?
Sim. Mas com expectativas calibradas.
Euphoria nunca foi uma série que se sustentava pela coerência narrativa. Ela funcionava como experiência — estética, emocional, às vezes quase física. O primeiro episódio da terceira temporada ainda entrega essa experiência, mesmo que de forma mais irregular do que antes.
E tem mais uma razão para assistir que vai além da qualidade: a temporada se encerra no dia 31 de maio com o episódio final intitulado “In God We Trust”. Seja qual for o veredicto, esse é o fim. E finais merecem ser vistos.
Nota do Entre Episódios: 7/10 — assista, mas não espere a Euphoria que você conheceu.
Próximo episódio: 19 de abril, 22h, HBO Max.