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Filme no Globoplay: Antes do Amanhecer é poesia romântica clássica

Filme no Globoplay: Antes do Amanhecer é poesia romântica clássica

Quando foi a última vez que você assistiu a um filme poético? Puxando da memória, consigo lembrar de alguns títulos que eu classificaria assim, como Vidas Passadas (2023), A Pior Pessoa do Mundo (2021) e Frances Ha (2012). Filmes que carregam uma atmosfera única, quase etérea, que não possuem grandes acontecimentos ou plot twists hollywoodianos, mas que se sustentam por diálogos, longos silêncios e por vezes, monólogos. Talvez justamente por isso, muitos desses longas carregam status de cults. Pois bem, Antes do Amanhecer (1995) acaba de entrar nesta lista.

Recentemente, graças a uma ação de Dia dos Namorados promovida pela Warner Bros. pude assistir Antes do Amanhecer (1995) pela primeira vez, e numa tela de cinema. Para mim, que amo um bom romance e nunca tinha conferido o filme de Richard Linklater – que inclusive, é o primeiro de uma trilogia – foi uma grata surpresa. 

A premissa de Antes do Amanhecer é simples e até pouco ambiciosa: os jovens desconhecidos Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy) se sentam um de frente para o outro durante uma viagem de trem, e após uma rápida conversa, decidem passar as próximas horas juntos, aproveitando a cidade de Veneza. Sem grandes planos ou pretensões, eles apenas sabem que no dia seguinte, assim que o sol nascer, terão que se separar e seguir destinos diferentes. 

Uma trama que tinha tudo para ser monótona e até sonífera, se caísse nas mãos erradas. Mas não é o caso de Richard Linklater, que parece estar perfeitamente à vontade enquanto dirige a história dos dois amantes, pelas belíssimas paisagens italianas. Entre conversas sobre vida, morte, namoros fracassados e planos para o futuro, Jesse e Celine pouco a pouco se entrosam cada vez mais a medida que o dia – e a noite – avançam, enquanto o telespectador se vê envolvido, torcendo tanto quanto os dois protagonistas por um final feliz, digno de comédias românticas, ainda que este pareça improvável. 

Parecendo mais um ode à juventude e aos amores inocentes, a obra não se preocupa em oferecer ao público grandes acontecimentos, cenas tórridas de sexo ou brigas homéricas que terminam em lágrimas ou mais sexo. Contrariando outros filmes do gênero, Antes do Amanhecer acontece lentamente, com muito da história permanecendo subentendido nos detalhes. Um olhar, um gesto, um poema improvisado, uma cigana lendo mãos no meio da rua… pequenas pistas que indicam com clareza o destino daqueles jovens, ao menos neste primeiro filme. 

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Assim, é ingenuidade achar que Antes do Amanhecer irá agradar todo mundo. Pessoas acostumadas a filmes ágeis ou até mesmo os mais jovens, podem não se empolgar com o longa, mas para quem curte um romance com profundidade e química construída aos poucos, vale a pena conferir na íntegra. A Celine de Julie Delpy pode ser descrita como a personificação francesa de Afrodite, deusa do amor na mitologia grega. Inteligente e encantadora, a personagem conquista um Ethan Hawke meio cético mas apaixonado, com os trejeitos que lembram vagamente a Juventude Transviada de James Dean. Juntos em tela, o casal se complementa de forma perfeita em meio às suas imperfeições. 

Ethan Hawke e Julie Delpy estrelam a trilogia de Richard Linklater

Antes do Amanhecer está disponível no plano Telecine do Globoplay

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